quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Semifinal Copa Sul-Americana: Ponte faz valer a perda de mando, dentro do mando adversário.

São Paulo e Ponte Preta fizeram, na noite desta quarta feira, a primeira das duas partidas da semi-final da Copa Sul-Americana. Estádio do Morumbi com mais de cinquenta e três mil pagantes, torcida tricolor entusiasmada, Ponte com remotíssimas chances de não ser rebaixada pelo Brasileirão e sabendo que não terá seu estádio (Moisés Lucarelli) disponível para o segundo jogo da competição internacional. Todo o cenário era indiscutivelmente favorável para a equipe da capital paulista encaminhar a vaga rumo a final. Mas, curiosamente, foi este o cenário que fortaleceu a equipe campinense.
Primeiramente, a semi-final já havia começado nos bastidores das equipes semanas antecedentes à partida. O São Paulo alertou a desatenta Conmebol que o estádio da Macaca tinha capacidade para apenas 16,9 mil lugares, uma vez que, para uma semi-final da competição são precisos 20 mil assentos. Tal atitude, provocou a ira dos dirigentes alvinegros que classificaram a atitude como "mesquinha" e não irão poder atuar em Campinas no jogo de volta, assim, a segunda partida será realizada em Mogi Mirim no estádio Romildão.
A atitude da diretoria tricolor, apesar da irritação dos pares ponte-pretanos, pode ser considerada viável já que, buscou nas regras do torneio, para alegar por segurança e conforto e buscar uma brecha para tirar o estádio do adversário no segundo jogo. No entanto, mal sabia o perigo que passaria a correr com tal decisão.
A equipe alvinegra, chegou atiçada com o tricolor. Fez valer o conflito fora de campo dentro dele e, contando com a pouca objetividade do adversário e com seus contra golpes rápidos, venceu o São Paulo por 3 a 1 e se aproximou de sua primeira final em um torneio internacional.

Leonardo comemora gol da virada da equipe de Campinas sobre o São Paulo.
Não, a causa da derrota do São Paulo não foram os assuntos extra campo. Mas é perceptível como esses afetaram a equipe da Ponte. Veloz, objetiva, contundente. Com mais uma grande exibição tática na Copa Sul-Americana, a equipe campinense dominou o São Paulo sem que ele percebesse. Jogou o favoritismo para o tricolor e apostou em contra-atacar o adversário, e, juntando isso com o atiçamento provocado durante a última semana, encontrou forças para vencê-lo.
Depois que o apito inicial foi dado, parecia que a equipe do estádio que suporta cinquenta, sessenta mil torcedores, partiria com tudo para mais uma de suas finais internacionais. E não demorou. Aos 20 minutos da primeira etapa, Paulo Henrique Ganso colocou um belo chute de direita no canto do goleiro Roberto e fez a festa do torcedor são-paulino. A partir daí, a equipe mandante pouco fez. O adversário adiantou a marcação e passou a infernizar o lado direito da defesa tricolor, onde Rildo com as subidas de Uendel fizeram a jogada do gol de empate. O gol afetou o apático atual campeão sul-americano. Já a atiçada Ponte, se aproveitou da apatia tricolor para ofuscar um segundo gol, e o fez. Após chute de Rildo e defesa milagrosa de Rogério Ceni, que igualou Pelé ao completar 1116 jogos pelo clube do Morumbi, Leonardo aproveitou o rebote para virar o jogo.
Já apático, o time da capital paulista se desestabilizou ainda mais. Muricy colocou Welliton e o presunçoso Luis Fabiano, e o time chegou, de uma forma desorganizada, a assustar a Ponte que, se mantinha em seus contra-ataques objetivos, permanecendo atacando o São Paulo, tanto o fazia que marcou o terceiro em chute desviado de Uendel em Wellington, coroando a ótima atuação do lateral-esquerdo da Macaca.
O apito final foi assoprado pelo argentino Diego Abal e os 3 mil e quinhentos ponte-pretanos, revoltados com a perda do jogo em Campinas, comemoraram. O alvinegro pode até perder por dois a zero em Mogi que segue para a final da competição.
Ao São Paulo? Talvez uma lição. Com pouco poder de reação, o tricolor foi derrotado. Dentro e fora de campo.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quem não arrisca...


Termina-se a 34ª rodada do campeonato brasileiro. Uma merecida ressalva ao Cruzeiro, o mais novo campeão nacional. Após vencer o Vitória no Barradão, a equipe celeste pôde confirmar aquilo que era esperado há tempo e levantar a taça, já erguida simbolicamente na rodada anterior contra o grêmio, do tricampeonato.

Cruzeiro vence Vitória no Barradão e comemora seu terceiro título nacional.
Não há quem possa discutir a campanha cruzeirense no campeonato deste ano. A equipe desde as primeiras rodadas mostrou que iria sonhar. A algum período sem incomodar a parte de cima da tabela, era justo vislumbrar uma ótima e satisfatória vaga na Libertadores, mas eram poucos os que acreditavam que esse grupo chegaria tão longe. E chegou.
O cruzeiro não brilhou em 2012. Terminou o campeonato em um humilde 9° lugar e foi eliminado nas oitavas de final da Copa do Brasil para a equipe do Atlético-PR. A torcida estava descontente, os jogadores pouco motivados e a diretoria...
Agiu!
Demitiu Celso Roth e buscou Marcelo Oliveira antes dispensado do Coritiba. Mudança que trouxe descontentamento de grande parte da torcida da Raposa. Marcelo, quando jogador, vestiu a camisa do rival Atlético-MG durante 7 anos, profissionalmente e não era, nem de longe, o preferido dos torcedores para ficar no comando do clube. Mas ficou. E hoje não se encontra um torcedor cruzeirense que lembra de sua passagem pelo Galo mineiro.
Agindo, a diretoria se arriscou. Vendeu o até então ídolo Montillo, que já não tinha as mesmas atuações de 2011, ao Santos por cerca de R$16 milhões e recheou seu elenco de novos jogadores. Bons jogadores.
Foram gastos em torno de R$30 milhões de reais em peças que poderiam fortalecer a equipe, e o fizeram. Nomes como Éverton Ribeiro, Lucca, Ricardo Goulart, Dagoberto, Luan, Henrique, Souza, Nilton, Bruno Rodrigo, Dedé e outros pouco tempo aproveitados, tais como Ananias e Diego Souza, foram contratados para, junto a bons jogadores surgindo da base celeste, formar uma estrutura forte o suficiente para a disputa da temporada, em especial, o Brasileirão 2013.
Esse planejamento, pode ser considerado arriscado ou aos mais exagerados, "suicída", uma vez que, se não causasse o que causou, levaria o clube à uma grave crise financeira, sem tirar um mínimo lucro do investimento e os dirigentes que agora comemoram, fatalmente, estariam longe de qualquer ligação política com o clube.
Enfim, o novo campeão brasileiro arriscou, e acertou. Há quem discorde se foi a escolha mais coerente ou sábia, mas acertou.