Discursos divergiam, entretanto, o desejo por "manter tudo como está" abafou possíveis discussões, e Milton segue, ao mesmo tempo, "sendo" e "estando" técnico do tricolor paulista.
Milton continua por lá, e, apesar de Aidar dizer que banca o treinador, Milton porta-se bem ao manter questionamento quanto a isso. Aidar procura um técnico para o São Paulo. Isso é inegável. E o que mais é estranho em toda essa desavença de falas é a insistência do presidente em trazer o tal do treinador estrangeiro.
O presidente são paulino, amante de profissionais bonitos, esbeltos e com todos os dentes firmes fortes e saudáveis, também tem aquele fascínio próprio da nossa cultura permeada pela síndrome de vira-latas, que aliás perpassa o futebol: o bom é o de fora; o que temos aqui não nos é suficiente mais.
Aidar sonhava com André Villas Boas, muito caro; cogitou Sabella, não deu certo; pensou em Sampaoli, também não fora possível até o momento. A bola da vez é Osório, treinador do Atlético Nacional da Colômbia.
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| Osório, treinador do Atlético Nacional, é a ideia de Aidar |
Primeiramente, será que ele parou para pensar o que significa trazer um treinador que nunca trabalhou no futebol brasileiro durante o início do campeonato nacional?
Talvez signifique algo parecido com o que ocorreu com Gareca no Palmeiras, recentemente.
Aliás, pensemos: não há nenhum treinador brasileiro capacitado para treinar o tricolor paulista?
Desde Cristóvão, que pode estar rumando ao Grêmio, a Wagner Mancini, que fez ótimos trabalhos em Botafogo e Atlético Paranaense, mas caiu, como todos, no final, sempre caem. O futebol brasileiro conta com ótimos treinadores, e que sobretudo conhecem os campeonatos, os times e os jogadores que temos aqui. O problema não reside nos treinadores, mas na impaciência de clube e torcida; na ausência de projetos; no dinamismo do mundo da bola que exige sempre algo novo, o tal do "novos ares". Besteira. Desde quando é necessário que depois de um tempo procure-se um treinador novo pelo ar novo, tão somente pela novidade?
Alex Ferguson é o maior exemplo disso. Demorou alguns anos para satisfazer torcida e diretoria, que o bancaram. Foram anos de jogadores pouco conhecidos, muitos jovens e resultados improdutivos. O primeiro título? F.A. Cup depois de quatro anos. O primeiro campeonato inglês, depois de sete anos. O resto dessa história de persistência todos já sabem: 26 anos no clube, 13 Premier Leagues, 9 copas nacionais, 10 Supercopas, 2 Champions Leagues, 1 Taça Intercontinental e 1 Mundial de Clubes.
Agora, pensa-se: não dá para apostar em mais tempo de trabalho?
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| Sério que não tem como dar mais tempo? |
Eu repito: não há dúvidas de que é o tal do estudioso do futebol.
Mas o que significa trazer um treinador desses para o futebol brasileiro?
Como se portarão os diretores, os torcedores e até os jogadores quando primeiras derrotas chegarem?
A nossa "cultura" será lembrada, pois não se banca treinadores que perdem jogos em sequência no país do futebol.
Exemplo mais que recente disso é Ricardo Drubscky, que treinou o Fluminense em tamanhos oito jogos e teve seu trabalho avaliado como ruim após longa e apurada investigação durante a porção de oito partidas disputadas; além dele, seu próprio substituto no Flu, Enderson Moreira, restou bem mais que Drubsky, onze jogos no Vitória, após também cair e partir rumo às laranjeiras.
Então resta saber: essa vontade do São Paulo trazer um treinador estrangeiro vai concomitar com apoio da direção para que o mesmo possa desenvolver sua metodologia de trabalho que tanto Aidar elogia?
Esperemos.
Caso o São Paulo o contrate, e Osório dure poucos meses, não se assuste.
Nada irá mudar. Foi só mais uma tentaiva que não deu certo.
Segue o jogo.
E ouviremos de Aidar: "traz outro, então!"

