terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A lição que Tite pode dar ao imediatismo que o tirou e o recolocou no cargo de treinador

Tite volta ao Corinthians uma temporada depois de deixar o clube. Sua saída no final de 2013 tornava-se iminente à medida que os jogos sucediam e a equipe, apesar de uma defesa sólida- a melhor do campeonato(22 gols sofridos)-, pouco marcava e terminou a competição nacional com 17 empates e com o segundo pior ataque da competição( 27 gols marcados) a frente apenas do então último colocado, Náutico( 22).
Apesar de todo o sucesso de Tite na sua segunda passagem pelo time do Parque São Jorge- título brasileiro em 2011, título mundial em 2012 e a tão sonhada primeira Libertadores do clube, no mesmo ano-, a diretoria optou por demiti-lo e negociar com Mano Menezes. As sensações de esgotamento e imediatismo que são cultivadas no futebol brasileiro , mais uma vez, prevaleceram, e criou-se a ideia de que era necessário o famigerado "novos ares". Tite caiu. Mano chegou. O 2014 do Corinthians, com Mano, não foi de todo ruim: em um ano de trabalho, o ex-técnico da seleção brasileira deixou o clube em um respeitável quarto lugar que classificou a equipe para a pré-libertadores do ano que vem. Alguns questionam: "respeitável? Com o elenco que o Corinthians tem, era obrigação fazer muito mais que isso."
Mano Menezes, após um ano de trabalho, deixa o Corinthians
Entendo que a pressão por títulos e por boas atuações, em um clube do tamanho do Corinthians, é grande. Todavia, pensar assim ignora as dificuldades de um campeonato tão disputado como o brasileiro e a igual ânsia por títulos de outras equipes- igualmente capacitadas como a então equipe de Mano. Exigir o título e entender qualquer outro resultado como "vergonha" faz-se uma postura mais emocional que racional. Própria de torcedor, não de diretoria.
Entretanto, os serviços prestados por Mano em 2014 foram considerados insuficientes para assegurar a permanência do treinador para a próxima temporada. Mesmo que o fosse, há de se considerar: Mano tinha um trabalho de um ano em desenvolvimento e relutava para encontrar uma forma da equipe jogar; parecia tê-la encontrado. Pouco importou isso. Mano caiu. Tite voltou. Alguns podem ver a volta de Tite como um arrependimento da diretoria corintiana; outros, como eu, enxergam simplesmente uma forma de trazer outro "novo", porque o que estava no cargo- por apenas um ano-tornou-se obsoleto. Fez-se preciso outra opção.
Tite volta ao Corinthians em nova aposta
Em meio a essas trocas de treinador, vê-se uma possível e interessante consequência: se Tite fizer uma boa campanha nessa sua volta, entender-se-á o quanto foi um erro demiti-lo um ano atrás e consolidará a ideia de que sim, é possível pensar à médio/longo prazo no Brasil. O Corinthians então perceberia que poderia ter feito isso e que poderia ter ganho mais o fazendo. Às vezes vale mais um ano de trabalho ruim com o mesmo treinador que o dará glórias no futuro, que trocar incessantemente à procura de um resultado rápido e instantâneo. Para isso, precisa-se pensar no futuro. E, acima de tudo, acreditar nele.

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